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É GREVE porque é GRAVE: servidores do IFMG Bambuí fazem greve contra cortes de verbas

- Cortes no repasse orçamentário do Governo deixarão escola sem recursos a partir de setembro -


Após assembleia geral realizada na última sexta-feira, 10, servidores do IFMG Campus Bambuí entraram em greve nesta segunda-feira, 13. A decisão foi tomada pela maioria dos servidores presentes na reunião, devido à grave crise financeira a qual a instituição foi submetida com os cortes de verbas do Governo Federal. Não há perspectiva, por parte da direção do IFMG Bambuí, de que seja possível manter as atividades atuais da instituição até o final do ano.




Segundo o presidente da Seção Sindical Sinasefe Bambuí, Erlon Zimermmane, a decisão de deflagrar a greve foi dolorosa para todos, tendo em vista que, neste período "pós-pandemia", professores, demais servidores e alunos estavam ansiosos pela retomada dos trabalhos presenciais. "Não é o momento ideal para uma greve. Mas a paralisação nos trabalhos da escola é praticamente inevitável, infelizmente. Por isso a decisão de adesão à greve neste momento: ou paramos, com a greve, para reivindicar a recomposição dos investimentos na instituição, ou paramos a partir de setembro, devido à falta de recursos financeiros para manter a escola aberta. A situação, que já era difícil, ficou pior após novo bloqueio de verbas imposto pelo Governo no final de maio", lamentou.


Entenda a crise:

O IFMG, assim como as demais instituições federais de ensino do país, vem sofrendo perdas orçamentárias desde a implementação da Emenda Constitucional 95/2016, que congela as verbas da Educação por 20 anos.

Para se ter uma ideia: em 2016, o orçamento do IFMG Bambuí foi de R$ 10.134.687,85 (dez milhões, cento e trinta e quatro mil reais), sendo mais de nove milhões em recursos do Governo Federal e o restante em recursos próprios da produção da escola). Hoje, seis anos depois, o orçamento para 2022 é de R$ 7.740.678,00 (sete milhões, setecentos e quarenta mil), sendo R$ 5.977.173,30 em recursos do Governo Federal e o restante em recursos próprios. A escola está trabalhando com um orçamento bem menor que o de 2016. E, com a inflação que atingiu a todos, a instituição enfrenta sérias dificuldades.

De acordo com a diretora de Administração e Planejamento do IFMG Bambuí, Maria Aparecida de Oliveira, o déficit atual é de R$ 3 milhões para manter as atividades essenciais do campus até dezembro deste ano.

Dessa maneira, já a partir de setembro as atividades do campus podem ser paralisadas, devido à inviabilidade econômica.



Danos já são visíveis:

A crise financeira que atinge o IFMG Bambuí já pode ser percebida em diferentes áreas. Computadores dos laboratórios de informática estão defasados, com máquinas antigas, que não suportam os programas a serem executados durante as aulas. Os alunos estão utilizando reagentes químicos vencidos durante as atividades em laboratório e faltam outros insumos. Prédios com revestimentos soltos, carteiras quebradas, banheiros sem papel higiênico são alguns dos sinais da carência de investimentos para manutenção básica da instituição.



Durante a assembleia dos servidores, uma aluna trouxe um forte relato: "alguns alunos estão passando fome aos finais de semana". Para conter custos, a escola parou de ofertar alimentação no refeitório aos sábados e domingos e cada aluno que reside no campus passou a receber um vale-alimentação, no valor de R$ 150,00 por mês. Mas, devido ao preço das marmitas e demais itens de alimentação e também à distância do campus até a cidade, alguns estudantes estão chegando ao final do mês sem condições de se alimentar adequadamente.

É GREVE porque é GRAVE!


A pauta de reivindicações da Greve foi votada e aprovada no dia 1º de junho com os seguintes termos:

  • Reajuste Salarial de 19,99% para o conjunto de Servidores Públicos Federais;

  • Arquivamento da PEC 32 (Reforma Administrativa);

  • Revogação da Emenda Constitucional 95/2016 (Congelamento de Verbas por 20 anos - PEC do Fim do Mundo);

  • Desbloqueio imediato dos 14,50% dos recursos do Orçamento 2022 dos Institutos Federais (Ato realizado pelo Governo Bolsonaro no dia 27 de maio deste ano).

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